segunda-feira, 23 de novembro de 2009

"Praiando os sentidos"
















Estava ali, recostada em minha rede branda
Tecida com a pureza de nosso amor juvenil,
Sendo embalada pela brisa suave de final de tarde
Que cantava entrelaçando as palhas dos altos coqueirais...

Enquanto isso, eu observava a imensidão do mar anil
Que se prolongava em direção ao além do horizonte,
E escutava o rumor das ondas que acariciavam levemente
A infinita faixa de areia abaixo dos meus pés descalços...

Ao fundo, o som de teu violão dedilhando bossa-nova
Acalmava e tranqüilizava a minha pobre alma desnuda...
Afugentava com graça a nostalgia e a melancolia
Da monotonia automática e da rotina ingrata
Que tanto nos castigava diariamente!

Deleite eterno...
Eu degustava, com sede tamanha,
A água de coco que me embebia os lábios
Da boca que invocava em sussurros pela tua!
Podia sentir de longe o olor da maresia
Misturando-se com o cheiro do teu doce perfume...

Assistia, enfim,
Ao supremo pôr-do-sol
Que propagava um álacre espetáculo de cores
Em tons dégradés alaranjados e avermelhados,
Pincelados ao longo do céu colossal
Com as polpas das nossas frutas tropicais...

Meu contentamento!
O encanto daquele singelo instante
E o retrato daquela paisagem insólita
Envolviam-me no ardor dos teus braços cândidos
Traduzindo em nossos corpos inextricáveis
Uma sublime essência da vida...
Com gosto de praia, com sabor de mar
E apetite voraz de tua paixão sem fim.

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

"Um anjo"

Eu fecho os olhos e vejo:
Tua tez, tão alva como a cor da neve
Teus olhos, tão claros e límpidos como a água dos oceanos
Tua boca, tão macia como a pétala de uma rosa
Teus cabelos, tão dourados como o brilho do Sol
Tua face, tão suave como um manto aveludado
Teu perfume, tão doce como o aroma de uma flor!

És tão belo, tão gracioso, tão cheio de virtude
Que me encanta com teus olhos,
Com teu sorriso, com teu esplendor
Posso ouvir o teu suspiro, a tua voz, a tua respiração
Tudo em ti me atrai, me chama atenção
És um príncipe montado em um cavalo branco
que cavalga em minha direção!

Porém, nada é perfeito. E por isso, tu não existes...
És apenas uma miragem, uma alucinação, uma ilusão
Estás apenas em meus sonhos, na minha imaginação
Só assim poderei contemplar sua divina perfeição!

Eu abro os olhos e vejo:
Sim, és tu. E dessa vez não me enganei.
Porém não és humano, nem mesmo és mortal - És um anjo!

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

"Alien-nações"

Notícias sem conteúdo,
Sensacionalismo barato
Mas que chato!
É o que eu acho...
Eles pensam que eu não penso?
Pois se enganam, pobres coitados!
Falam melhor quando calados...
Onde estão os sensos críticos?
Perdidos nas verdades mentirosas
Encolhidos nas manchetes onerosas...
Imposição de falsos padrões,
Cultivo de viciosos jargões
Exércitos inteiros de alien-nações!
Pura banalidade...

Ainda existe autenticidade?
Nem sei mais o que é a realidade...
Por trás das informações,
Um jogo sujo de interesses
Sem quaisquer preocupações...
Tratam-nos como cobaias
Ah! Já chega de maracutaias
Cansei de tudo, adeus!
Estou indo, meus bons amigos,
Eu vou é cair na gandaia.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

"Nossa atração"

Nossa atração tem força inegável
Como um elo indestrutível
De uma origem inexplicável
E de um mistério indefinível

Nossa atração é inevitável
De caráter imprescindível
Possui beleza irrefutável
E grandeza indescritível

É segredo nunca antes desvendado
Por trás de um desejo incoerente
Um testamento infundado
Mas de uma certeza eloqüente...

Paradoxo inimaginável
De contestação proibída
Possui encanto inquestionável
Que transcende o amor e a vida!

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

"Nossas Meninas"

Nossas meninas, doces meninas...
Tão graciosas, cheias de virtudes
Olhares encantadores
Belezas raras, exóticas
Já não sentem mais dores
Com suas anestesias tóxicas!

Nossas meninas, aquelas meninas...
Abafaram seu brilho
Em preocupações sem sentidos
Cheias de mentiras
E sorrisos polidos...

Nossas meninas, minhas meninas!
Mentes inquietas, neuroses incertas
Turbilhão de emoções
Passam fome de vida
Perderam seus dons
Caminhos sem saída!

Nossas meninas, já nem são assim meninas...
Agora mulheres apáticas, perdidas
Insaciedade de estética
Em suas formas sofridas
Rimas não poética
Em seus corpos sem vidas!

Nossas meninas, loucas meninas!
Parecem borrachas, meras montagens
Perderam sua essência
Viraram embalagens
Doentias aparências
Em seus rostos selvagens!

Nossas meninas... Nossas meninas?!
O que fizeram com elas?
Onde estão escondidas?
Atrás de um espelho falso
Vivem contidas
Libertem-nas, por favor!
De suas almas feridas
Desprendam-nas da dor
De suas imagens distorcidas.